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A NOVA NOVA ESQUERDA



Os filósofos comandam o Estado, obviamente não os filósofos no sentido tradicional da palavra, mas os dialéticos [referência à dialética marxista]. A convicção de que o mundo inteiro será conquistado cresce. Grandes hordas de seguidores surgem em todos os continentes. Mentiras são tramadas a partir de sementes das verdades [grifo meu].

Czeslaw Milosz, Mente Cativa


A Nova Esquerda (New Left em inglês) é um termo utilizado para se referir aos movimentos políticos de esquerda surgidos em vários países a partir da década de 1960. Eles se diferenciam dos movimentos de esquerda anteriores que haviam sido mais orientados para um ativismo trabalhista, e adotam uma definição de ativismo político mais ampla, comumente chamada de ativismo social. Era o mesmo desgastado socialismo marxista, lutando para “transformar o mundo”, despreocupado de como de fato é a realidade. Não importava compreendê-lo e sim transmuta-lo em qualquer coisa conforme a cabeça dos infinitos teóricos.


Passado mais de meio século, a metamorfose continua, os termos se alteram, os conceitos mudam. O que não muda é o desejo insano de se opor à realidade e impor ao mundo uma agenda que produza a opressão, a prisão, a morte e o preconceito de todos os que dela discordam. Marxismo, neo marxismo, marxismo cultural, pós-marxismo, progressismo – tanto faz. O importante é dominar e estigmatizar os discordantes, por mais sensatos, coerentes e corretos que sejam.


Quem nunca leu 1984, de George Orwell, deveria fazê-lo urgentemente, no mínimo para entender como funciona a novilíngua e o duplipensar. Essa forma de engenharia social empregada pelo comunismo e pelo nazismo é denunciada por Orwell e retrata cada vez mais nossa realidade hoje. Olhar para o vocabulário ao nosso redor é essencial para perceber o tipo de sociedade que está se formando.


As palavras já não são o que costumavam ser. O vocabulário não expõe abertamente a ideologia. Pelo contrário. A esconde. Basta dar uma caminhada por qualquer jornal ou livro e um conjunto de expressões e palavras estarão, com sentido bem diferente, às vezes oposto ao verdadeiro significado. Para eles a verdade não existe, tudo é construção. E eles querem com suas palavras construir o que acham que devem construir e destruir o que não lhes agrada. Estão desconstruindo a realidade e deixando em seu lugar uma realidade que se mostrará amarga ao final, como aconteceu com o nazismo.


Reconhecemos o monstro ideológico oculto por conceitos, expressões e palavras repletas de ambiguidade, tais como: justiça social, distribuição de renda, redução das desigualdades, direitos reprodutivos, empoderamento de minorias, desarmamento, multiculturalismo (pró-islã e pró qualquer coisa contra legados, princípios e valores bíblicos), relativização da propriedade privada, liberação das drogas, desmilitarização das polícias, diluição das soberanias nacionais, inclusão, linguagem neutra, Ideologia de Gênero, abolição da família tradicional, satanização das Forças Armadas, socioconstrutivismo, extinção do patriarcado, redução do Evangelho à Ação Social, feminismo, Teologia negra, Teologia Latino-

Americana, O.D.S., Agenda 2030, salvação do planeta etc.


Todos estes termos têm duplo sentido. Um aparentemente bom para o senso comum, outro, revolucionário, para militantes e patrocinadores. Todos estes termos nasceram de uma mistura do Humanismo Materialista com a Teologia Liberal, quase todos amparados na base marxista da luta de classes. Dessa forma as palavras se tornam armas mais mortíferas do que as nucleares, pois estão apontadas para a realidade a fim de a destruir e banir qualquer que delas discorde.


A candura dos termos esconde sua maldade. “O mal sempre se apresenta como algo bom. Ninguém diz: “Vamos fazer algo mal hoje”. O mal se associa com uma causa nobre ou com palavras altissonantes. O aborto se associa com a emancipação das mulheres. O sexo ilícito se associa com o amor. A crueldade com um amigo se associa com a honestidade”.


Essa mentalidade revolucionária milita atropelando as leis, alegando um paraíso terrestre (fim das injustiças, pobrezas e opressões) a partir da transformação forçada da mentalidade e do comportamento humano, desvalorizando as evoluções e interações naturais, livres e espontâneas, tão caras à mente conservadora e natural. Para isso ela defende a mão forte do Estado, controlado pelos coletivos, como agente redentor, e, em última instância, abolindo e substituindo a moral judaico-cristã, a quem ela atribui a causa de todas as mazelas humanas e origem de todas as opressões.


Apesar dos esforços para se apresentar como moderna, erudita e científica, essa visão progressista é eminentemente religiosa, afrontando a realidade a quem ela quer sempre conformar aos dogmas revolucionários. Imbuída de "criar seu próprio reino", ela se traveste de erudição, cientificismo e modernidade, mas, pela negação da realidade, só consegue produzir fragilidades, beligerâncias, empobrecimentos e muito mais injustiças, opressões e totalitarismos muito piores do que aqueles que diz denunciar.


Sendo incapaz de aceitar, entender e melhorar a realidade, e só produzindo conflitos incessantes e intensos, ela é incapaz de gerar indivíduos emancipados e riquezas. Temos a história do século XX para provar isso, juntamente com a história recente da América Latina, onde o empobrecimento geral é uma marca inquestionável. Essa revolução só produziu involução, pobreza e desgaste, nada mais.


Está na hora de deixar esse vocabulário de lado e denunciar os perigos que ele esconde. A inversão de valores, a criminalização dos discordantes, a militância jurídica e toda a metamorfose da sociedade tem nessas palavras, expressões e conceitos seu caminho e sua força. Precisamos de um dicionário crítico, que desnude e desvende o verdadeiro sentido das palavras dessa nova nova esquerda e que nos permita escapar do caos que ela certamente nos produzirá.

 
 
 

1 comentário


Doro Maciel
Doro Maciel
10 de fev. de 2023

Excelente artigo que denuncia uma farsa que busca se esconder com linguagens e expressões cada vez mais supostamente sofisticados e benevolentes, mas que em sua essência está eivada de mentiras grosseiras alimentadas pelo ódio às verdades de Deus, e aos que o amam.

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